Estação dos Combatentes

Das recordações

Lembro-me. Lembro-me muito bem, aliás. Lembro-me de acor­dar sem ter muito bem a cer­teza do que ia fazer, como se fosse desem­bar­car na Nor­man­dia e ter-me esque­cido de como dis­pa­rar uma arma ou nem sequer me lem­brar que está­va­mos em guerra.

Lembro-me de cho­rar, não sei exac­ta­mente porquê. E lembro-me tam­bém de parar de cho­rar no exacto momento em que virei as cos­tas ao pre­sente. “Está tudo bem, a sério.”

Con­sigo recordar-me vaga­mente da via­gem e das hos­pe­dei­ras e do almoço de aero­porto. Lembro-me do ar ali­vi­ado de todos os que ao embar­car regres­sa­vam e lembro-me do meu ar grave de quem ia pela pri­meira vez.

Lembro-me da cami­o­neta, das per­nas aper­ta­das entre malas e cadei­ras e do cora­ção aper­tado entre o ner­voso, o medo e a sur­presa. Lembro-me do senhor fran­cês, alma cari­dosa que nos apon­tou na direc­ção certa. Obri­gado, onde quer que este­jas. Lembro-me da infi­nita con­versa da treta, a manter-me de vigí­lia, sem­pre de olhos pos­tos no hori­zonte que nunca mais chegava.

Lembro-me de che­gar e olhar em volta e achar que a festa tinha ter­mi­nado. “Só isto?”, pen­sei. Chei­rava a cimento molhado depois da chuva mas sin­ce­ra­mente não me lem­bro se tinha cho­vido ou não. Na minha memó­ria, tinha cho­vido tor­ren­ci­al­mente, na rea­li­dade, não tenho a certeza.

Via­jei no tempo, estava agora na década de 80. Não tocam os Duran Duran na rádio? O Muro ainda lá está, certo? Não per­cebo nada do que está para aí a dizer, senhor, mas aposto que é muito inte­res­sante e eu ganha­ria alguma coisa em per­ce­ber. Ah, sim, temos fome, rapa­riga. Sim, leva-nos a sítios para comer­mos. Está tudo fechado. Paci­ên­cia. As maçãs da tua casa são as melho­res do mundo, sim. E tomate diz-se “pomidor”.

Lembro-me do ani­mal que foi o pri­meiro medo que venci, deixando-me dor­mir com ele por perto. Não per­cebo estes len­çóis mas agora tam­bém não estou inte­res­sado em perceber.

Lembro-me de não pen­sar em mais nada, de ver a porta pin­tada com uns giras­sóis e os guarda-vestidos meios des­fei­tos. Não usam esto­res, estes desgraçados.

Olha, já é de dia. E que dia hor­rí­vel. Tudo parece velho e des­gas­tado e, ainda assim, sinto-me em casa. Che­gá­mos tarde, pedi­mos des­culpa, apren­de­mos as fru­tas e os vege­tais e outras coi­sas que tais.

E lembro-me de mais por­me­no­res, de deta­lhes míni­mos de máxima insig­ni­fi­cân­cia, que vão dos nomes das ruas aos núme­ros das por­tas, do preço do pão aos horá­rios dos eléc­tri­cos. Lembro-me, lembro-me muito bem.

Lembro-me de tudo o que dei­xei. Lembro-me de par­tir. Lembro-me de estar.

 

Só não me lem­bro de ter voltado.

Powodzenia!

Megas, Johnny, Vanessa e Filipa: “façam o favor de ser felizes”.

O Porto há-de cá estar quando vol­ta­rem. Eu sei que sim.

Sonhei que estava a caminho

…a cami­nho de casa.

O meu primeiro atalho

O meu já citado primo Tozé era o dono do pri­meiro com­pu­ta­dor em que mexi.  O tal PC-1 da Oli­vetti foi a máquina em que aprendi as manhas do ofí­cio e, nele, os meus pri­mei­ros pas­sos no MS-DOS.
Aprendi com o meu primo toda aquela rotina de

cd ..
cd jogos
dir *.exe
dir /w

Tam­bém aprendi com ele todo o con­ceito de comprimir/descomprimir fichei­ros via linha de coman­dos, claro está. Ainda me lem­bro do cho­que que foi quando des­co­bri o Win­Zip. Mas isso é uma his­tó­ria para outro dia.
Aprendi com ele o meu pri­meiro ata­lho. Todos usa­mos ata­lhos a par­tir de um certo nível de pro­fi­ci­ên­cia e habituamo-nos a eles. Toda a gente sabe que Ctrl+C (ou Command+C em Mac) copia o que está sele­ci­o­nado e que Ctrl+V (Command+V) cola o que tinha­mos copi­ado. Aprendi no Micro­soft Paint aquele que é, ainda hoje, o meu ata­lho favo­rito (sim, eu penso nes­tas coi­sas): Ctrl+Z (Command+Z), o ata­lho para vol­tar atrás uma acção.
Na ver­dade, o ata­lho que venho aqui refe­rir não é bem “um ata­lho” mas sim uma manha resul­tante de um ata­lho. Ima­gi­ne­mos então o cená­rio de que­rer­mos criar uma direc­to­ria no MS-DOS, por exem­plo a direc­to­ria “keen” onde vai morar a nossa ins­ta­la­ção de Com­man­der Keen in Goodbye Galaxy! que está
na nossa dis­quete. A sequên­cia seria, par­tindo da raiz do disco:

cd Jogos
md keen
cd keen
a:
copy * c:

Apa­ren­te­mente, não há aqui nada de espe­cial e na rea­li­dade não há. Con­tudo, foi em sequên­cias deste estilo que aprendi o meu pri­meiro grande golpe de pro­fi­ci­ên­cia infor­má­tica. Con­ve­nha­mos:

md keen
cd keen

são dois coman­dos que par­ti­lham todos excepto 1 carac­ter. Em MS-DOS, a tecla F3 coloca na linha de coman­dos o último comando. A ideia de génio, era escre­ver então:

md keen
c <F3>

MEU DEUS!” pen­sei eu quando aprendi a fazer esta pequena manha. Com ape­nas uma tecla podia pou­par dúzias e dúzias de carac­te­res ao longo da vida! É a pri­meira lem­brança que tenho de usar um ata­lho em toda a minha vida e ainda hoje uso vari­a­ções dele.
Hoje, anos depois, con­ti­nuo mara­vi­lhado com os ata­lhos que nos per­mi­tem pou­par tempo e teclas. Diria que grande parte do pra­zer que retiro da uti­li­za­ção de ata­lhos não vem da pou­pança de tempo ou teclas, vem do efeito que resulta de uma pequena acção/grande resul­tado. Isso seria uma ques­tão inte­res­sante para se dis­ser­tar mas não neste post.

Mestre André

Após ter apre­sen­tado hoje o meu pro­jecto de está­gio, con­clui o curso. Sou, a par­tir de agora, o Mes­tre André, Mes­tre em Enge­nha­ria Infor­má­tica e de Com­pu­ta­ção pela Facul­dade de Enge­nha­ria da Uni­ver­si­dade do Porto.

Kudos para mim!

Onde é que se metem os papeis para a reforma?

Sim, ainda cá estou

imagem
A acti­vi­dade blo­gos­fé­rica está um pouco parada aqui por estes lados mas este site que encon­trei é ver­da­dei­ra­mente bom e vali­oso. Em pou­cas pala­vras é uma colec­ção de capas de albuns de jazz, em alta reso­lu­ção. Muito bom.
O link: http://www.gokudo.co.jp/Record/WVocal1/index.htm

Seinfeld sabe

“I never get enough sleep. I stay up late at night, cause I’m Night Guy. Night Guy wants to stay up late. ‘What about get­ting up after five hours sleep?’, oh that’s Mor­ning Guy’s pro­blem. That’s not my pro­blem, I’m Night Guy. I stay up as late as I want. So you get up in the mor­ning, you’re alarm, you’re exhaus­ted, groggy, oooh you hate that Night Guy! See, Night Guy always screws Mor­ning Guy. There’s nothing Mor­ning Guy can do. The only thing Mor­ning Guy can do is try and overs­leep often enough so that Day Guy loo­ses his job and Night Guy has no money to go out anymore.”

Acho que o adi­an­tado da hora para quem ama­nhã acorda ás 8, faz per­ce­ber o quanto isto me parece realista.

I feel it all

Feist

Foto de Punki :) via Flickr

Les­lie Feist é uma que­rida. As pala­vras para des­cre­ver o con­certo com que pre­sen­teou as não mui­tas pes­soas que ontem não enche­ram o Coli­seu do Porto irão andar sem­pre à volta disso: que­rida, fofi­nha, ado­rá­vel. Con­fesso que não sou o maior fã da música de Feist mas gosto (se não gos­tasse não tinha ido ao con­certo, não vos parece?) ape­sar de há sema­nas (meses?) que não a ouvia can­tar aqui pelas minhas colu­nas. A pri­meira parte esteve a cargo de uma banda do indie qual­quer cujo nome nem sequer fixei e cuja música me pas­sou de todo ao lado. Feist entra em palco ves­tida de branco, com uma gai­ola com uma vela den­tro. A roupa larga branca e o cabelo com­prido de franja faz lem­brar uma qual­quer can­tora hip­pie dos 60’s. Após a pri­meira musica que inter­pre­tou por detrás de um biombo branco ape­nas nos dei­xando ver a sua som­bra, avança para “Musha­boom”, música de Let it Die o seu album de 2004 e minha per­so­nal favou­rite. Durante a música foi sendo pro­jec­tado no fundo do palco um espec­tá­culo de som­bras que aca­bou por acom­pa­nhar o resto do con­certo e cuja beleza por vezes quase ofus­cava a voz de Feist, o que pare­cendo que não, era bem difí­cil. Ape­sar de em disco nem sem­pre pare­cer, Les­lie Feist tem uma grande voz, muito supe­rior a grande parte da sua con­cor­rên­cia pelos lados do indie. Ao vivo e numa grande sala a sua voz enche, aca­ri­cia, acon­chega. “One Two Three Four” é mais um grande momento da noite, acom­pa­nhada pelo público com os lalala’s e ohohoh’s aos quais a sua música tanto se presta. Ao segundo encore Feist volta a can­tar por detrás do biombo, desta vez ao piano. Conta-nos de como tinha pedido ao seu mana­ger para vol­tar a Por­tu­gal e em como não que­ria vol­tar a tocar num com­plexo indus­trial na Ale­ma­nha. Enfim, aque­las coi­sas. No fim vai tudo para casa com aquela cara feliz e con­tente de quem assis­tiu a um grande espec­tá­culo e se diver­tiu de cara­ças. Aposto que ela tam­bém gos­tou. E para mim, como espec­ta­dor, pou­cas coi­sas me agra­dam tanto como ver no palco a mesma satis­fa­ção que no público.

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Gos­tei do key­note de ontem.
Como deve­lo­per agradou-me bas­tante que uma per­cen­ta­gem subs­tan­cial do tempo tenha sido usada para falar aos deve­lo­pers. Para qual­quer deve­lo­per aquela demons­tra­ção da apli­ca­ção feita em 10 minu­tos, ali em frente a toda a gente, é bre­ath­ta­king. Sou um dos mais de 250000 que fize­ram down­load do SDK para o iPhone e posso dizer que é mesmo assim: fácil, rápido, WYSIWYG. Ando com uma ou outra ideia e quem sabe, lá para Julho já terei algu­mas Lame­las Apps pron­tas a mos­trar.
Quanto ao resto, o que há a dizer? Já tudo era pre­vi­sí­vel, tenho pena de não ver nada do Snow Leo­pard, o iPhone 3G é uma mara­vi­lha, o Mobi­leMe é uma bofe­tada de luva branca para cer­tas e deter­mi­na­das empre­sas que andam a ten­tar fazer “cloud com­pu­ting” e andam a falhar mise­ra­vel­mente.
Mas claro que o iPhone 3G foi o prato forte e, pelo que me parece, é um kil­ler gad­get. Não pelas fea­tu­res, por­que é bom que se diga que quando o pri­meiro iPhone foi lan­çado já exi­sis­tiam mode­los da Nokia com as fea­tu­res que o iPhone tem agora, mas pelo preço. Cento e noventa e nove dóla­res por tudo aquilo é um preço e tanto.

Só assim uma coisa que ainda não vi nin­guém falar: o Push Noti­fi­ca­tion Ser­vice. É de mim ou aquilo é uma ideia do cara­ças? Espero para ver.

Ah, e era um iPhone 3G, por favor.

jQuery UI

Antes que a blo­gos­fera seja inva­dida pela onda WWDC — Key­note do Lord Jobs — iPhone 3G — mais novi­da­des Apple, venho aqui só mani­fes­tar o meu agrado pela nova jQuery UI que teve hoje um novo rele­ase. Como é a minha fra­mework Javas­cript de pre­fe­rên­cia em dete­ri­mento de coi­sas como a Pro­totype asso­ci­ada com a Scrip­ta­cu­lous, foi com grande ale­gria que li esta notí­cia. Kudos!

E agora, espe­rar mais umas horas para depois fazer o post WWDC — Key­note do Lord Jo…