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	<title>Estação dos Combatentes</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Jul 2012 12:15:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lamelas</dc:creator>
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		<description><![CDATA[«O nome do meu pai era Clevie Raymond Carver. A sua família chamava-lhe Raymond e os amigos chamavam-lhe C.R. Deram-me o nome de Raymond Clevie Carver Júnior, e sempre odiei a parte do “Júnior”. Quando era pequeno, o meu pai chamava-me Sapo, e disso eu gostava. Mas, mais tarde, como toda a gente na família, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>«O nome do meu pai era Clevie Raymond Carver. A sua família chamava-lhe Raymond e os amigos chamavam-lhe C.R. Deram-me o nome de Raymond Clevie Carver Júnior, e sempre odiei a parte do “Júnior”. Quando era pequeno, o meu pai chamava-me Sapo, e disso eu gostava. Mas, mais tarde, como toda a gente na família, ele começou a chamar-me Júnior. E continuou a tratar-me assim até eu ter treze ou catorze anos, idade em que anunciei que não responderia mais por esse nome. Por isso começou a chamar-me Doc. A partir desse momento, e até ao dia em que morreu, a 17 de Junho de 1967, tratou-me por Doc, ou então por Filho.<br />
Quando ele morreu, a minha mãe ligou à minha mulher para lhe dar a notícia. Eu encontrava-me afastado da minha família nessa altura, entre vidas, tentando entrar na Faculdade de Biblioteconomia da Universidade do Iowa. Quando a minha mulher atendeu o telefone, a minha mãe exclamou: “O Raymond morreu!” Por um instante a minha mulher julgou que a minha mãe lhe estava a dizer que eu tinha morrido. Depois a minha mãe explicou de qual dos Raymond estava a falar e a minha mulher disse: “Graças a Deus. Achei que estava a falar do meu Raymond.”»</p>
<p>[in Fogos, de Raymond Carver, trad. de João Tordo e João Luís Barreto Guimarães, Quetzal, 2012]</p>
<p>Lindíssimo e encontrado <a href="http://bibliotecariodebabel.com/geral/primeiros-paragrafos-81/" target="_blank">aqui</a>.</p>
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		<title>Das Poesias VIII &#8211; [NÃO GOSTO DE CONTAR OS DESASTRES EM DETALHE]</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jun 2012 23:50:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lamelas</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não gosto de contar os desastres em detalhe mas, se quiserem, posso escrever uma lista com nomes e camas. Sou bem capaz de molhar o pezinho na história da barbárie, condecorar o medo, cortar-me a mão com que limpo as feridas de uma civilização em queda. Posso perfeitamente ir afiando o gume da esperança com [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Não gosto de contar os desastres em detalhe<br />
mas, se quiserem, posso escrever uma lista com nomes e camas.</em></p>
<p><em>Sou bem capaz de molhar o pezinho na história da barbárie,<br />
condecorar o medo,<br />
cortar-me a mão com que limpo as feridas<br />
de uma civilização em queda.</em></p>
<p><em>Posso perfeitamente<br />
ir afiando o gume da esperança<br />
com a flor branca de um cancro.</em></p>
<p><em>Sou, em definitivo, este comediante de rua<br />
que serve a desconhecidos,<br />
em copos pequenos,<br />
a medida certa da sua agonia.<br />
Descobre sonhos<br />
onde outros só encontram coelhos.<br />
Hoje, por exemplo, quando tirou as luvas,<br />
viu que lhe faltavam dedos.</em></p>
<p>Golgona Anghel in &#8220;Vim Porque me Pagaram&#8221;</p>
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		<title>Das Poesias VII &#8211; II Soneto para Cesário</title>
		<link>http://lamelas.org/blog/2012/05/das-poesias-vii-ii-soneto-para-cesario/</link>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 23:13:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lamelas</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Se te encontrasse, agora, na paisagem nocturna dos fantasmas da cidade, contava-te dos nossos pobres versos no teu rasto de sombra e claridade Contava-te do frio que há em medir a distância entre as mãos e as estrelas, com lágrimas de pedra nos sapatos e um cansaço impossível de escondê-las Contava-te – sei lá! – [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Se te encontrasse, agora, na paisagem<br />
nocturna dos fantasmas da cidade,<br />
contava-te dos nossos pobres versos<br />
no teu rasto de sombra e claridade</p>
<p>Contava-te do frio que há em medir<br />
a distância entre as mãos e as estrelas,<br />
com lágrimas de pedra nos sapatos<br />
e um cansaço impossível de escondê-las</p>
<p>Contava-te – sei lá! – desta rotina<br />
de embalarmos a morte nas paredes,<br />
de tecermos o destino nas valetas</p>
<p>De uma história de luas e de esquinas,<br />
com retratos e flores da madrugada<br />
a boiarem na água das sarjetas.</em></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dinis_Machado">Dinis Machado</a></span></p>
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		<title>Das Poesias VI &#8211; As Coisas do Corpo</title>
		<link>http://lamelas.org/blog/2012/05/das-poesias-vi-as-coisas-do-corpo/</link>
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		<pubDate>Fri, 11 May 2012 14:44:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lamelas</dc:creator>
				<category><![CDATA[pt]]></category>

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		<description><![CDATA[Demasiado internas para lhes conhecermos os contornos. Demasiado ocultas para lhes saber as razões. Ostensivas, as coisas do corpo exibem-se perfeitas. Segundos em que cheguei a odiá-las. Estavam demasiado longe dos lugares a que devíamos regressar quando eu envelhecesse. Puxei-te pela mão. A mão soltou-se do teu corpo. Coloquei-a no lugar do coração; com as [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Demasiado internas para lhes conhecermos os contornos.<br />
Demasiado ocultas para lhes saber as razões.<br />
Ostensivas, as coisas do corpo exibem-se perfeitas. Segundos<br />
em que cheguei a odiá-las. Estavam demasiado longe<br />
dos lugares a que devíamos regressar quando eu envelhecesse.<br />
Puxei-te pela mão. A mão soltou-se do teu corpo.<br />
Coloquei-a no lugar do coração; com as unhas<br />
construí um fecho novo para o colar de pérolas;<br />
vendi a pele e voltei a encher o frigorífico.<br />
Alguém se sentou à mesa. Tinha o teu nome gravado;<br />
um rosto sem marcas, irreconhecível,<br />
aguardava a mão capaz de lhe levar coisas à boca.<br />
Coisas de alimento às coisas do corpo. Como esta mão a bombear-te<br />
o coração do lado errado do peito.</em></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://www.wook.pt/authors/detail/id/37085">Inês Fonseca Santos</a></span>, in &#8220;As Coisas&#8221;</p>
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		<title>Das Perguntas Difíceis</title>
		<link>http://lamelas.org/blog/2011/11/das-perguntas-dificeis/</link>
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		<pubDate>Thu, 24 Nov 2011 16:27:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lamelas</dc:creator>
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		<description><![CDATA[- Olhe, desculpe-me: como é que eu chego à Assembleia da Republica? Estava vagamente perdido na zona de Santos. Gosto de Lisboa mas como não nativo acabo, de vez em quando, por me perder ou desorientar. Reparei, após ter feito a pergunta, na bandeira francesa hasteada no primeiro andar do edifício em frente. Tenho uma [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>- Olhe, desculpe-me: como é que eu chego à Assembleia da Republica?</p>
<p>Estava vagamente perdido na zona de Santos. Gosto de Lisboa mas como não nativo acabo, de vez em quando, por me perder ou desorientar. Reparei, após ter feito a pergunta, na bandeira francesa hasteada no primeiro andar do edifício em frente. Tenho uma vaga lembrança de a Embaixada de França ser pela zona mas, reitero: não conheço Lisboa assim tão bem.</p>
<p>O policia a quem me dirigi ergueu os olhos do iPhone em que focava a sua atenção. Possivelmente tentava as quase inalcançáveis três estrelas num dos níveis finais do Angry Birds. Presumo que só isso o impedia de morrer de tédio.</p>
<p>- Olhe, desculpe-me: como é que eu chego à Assembleia da Republica?</p>
<p>Após recolocar mentalmente a pergunta, veio-me à cabeça uma velha piada. Julgo que é qualquer coisa do género:</p>
<p>Um músico que tocava na rua é abordado por um transeunte que lhe pergunta:<br />
- Olhe, desculpe-me: como é que eu chego a Carnegie Hall?<br />
- Praticando muito.</p>
<p>Não é que possua uma ambição em termos de carreira política mas achei curioso como a minha pergunta, inocente, afinal podia estar armadilhada.</p>
<p>- Olhe, desculpe-me: como é que eu chego à Assembleia da Republica?</p>
<p>A resposta podia ser &#8220;inscrevendo-se num partido e participando muito&#8221;. Claro que também podia dizer &#8220;mentindo muito&#8221; ou &#8220;roubando muito&#8221;, é que segundo a visão popular, são todos uns gatunos, bem o sabemos.</p>
<p>- Vai por esta rua sempre em frente e lá ao fundo vira à esquerda; se virar à direita vai dar ao rio &#8211; respondeu-me, simpático e com um sorriso.</p>
<p>Pensando mais uma vez nas ligações políticas que se podiam fazer, agradeci e segui em frente. Cheguei, eventualmente, à intersecção onde supostamente escolheria entre o rio e o Parlamento.</p>
<p>Atravessei com cautela a estrada: o corrupio entre os extremos era intenso em ambos os sentidos. Havia os que se aproximavam ambiciosamente da Assembleia e os que, a medo, eram empurrados na direcção do Tejo (que, como sempre, parecia indiferente a tudo isto, com a sua dourada pacatez).</p>
<p>Segui em frente após chegar ao passeio do outro lado. A pergunta tinha, para mim, meramente o intuito de confirmar. Não só eu sabia o caminho, como sabia que não era ao Parlamento que eu queria ir ter, estava apenas a garantir que não seguia o caminho errado. Não queria mesmo ir lá ter. Nem tão pouco ao rio, refira-se.</p>
<p>Dois turistas interpelam-me e julgo não ter percebido correctamente a pergunta:</p>
<p>- Olhe, desculpe-me: como é que eu chego a Príncipe Real?</p>
<p>Lembrei-me que ainda devem haver princesas solteiras nas casas reais europeias mas não devia ser bem essa a resposta esperada.</p>
<p>- Desculpe, não sou de cá.</p>
<p>Entrei depois num café e pedi uma limonada. Felizmente as perguntas complicadas tinham acabado.</p>
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		<item>
		<title>Das Poesias V &#8211; Chico</title>
		<link>http://lamelas.org/blog/2011/06/das-poesias-v-chico/</link>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2011 12:11:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lamelas</dc:creator>
				<category><![CDATA[pt]]></category>

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		<description><![CDATA[Talvez não fosses forte para a felicidade, nem para o medo. Olha as pessoas felizes: ocultam-se na felicidade como em casa, erguem muros, fecham as janelas, o medo é a sua fortaleza. O que disputam à morte é maior que elas, a morte não lhes basta. Manuel António Pina, in &#8220;Cuidados Intensivos&#8221;]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Talvez não fosses forte<br />
para a felicidade,<br />
nem para o medo. </p>
<p>Olha as pessoas felizes:<br />
ocultam-se na felicidade<br />
como em casa, erguem </p>
<p>muros, fecham as janelas,<br />
o medo<br />
é a sua fortaleza. </p>
<p>O que disputam à morte<br />
é maior que elas,<br />
a morte não lhes basta. </em></p>
<p><span style="text-decoration: underline;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Manuel_António_Pina">Manuel António Pina</a></span>, in &#8220;Cuidados Intensivos&#8221;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Agá</title>
		<link>http://lamelas.org/blog/2011/04/aga/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 22:03:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lamelas</dc:creator>
				<category><![CDATA[pt]]></category>

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		<description><![CDATA[O H maiúsculo, na sua forma, assemelha-se às duas margens de um rio unidas por uma ponte. Acho curioso observar que é por essa mesma letra que começa a palavra que designa a arte de construir pontes entre o passado e o futuro passando sobre o presente: a História. A poética levar-nos-ia agora a concluir [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>O H maiúsculo, na sua forma, assemelha-se às duas margens de um rio unidas por uma ponte. Acho curioso observar que é por essa mesma letra que começa a palavra que designa a arte de construir pontes entre o passado e o futuro passando sobre o presente: a História. A poética levar-nos-ia agora a concluir que o rio sobre o qual a História constrói pontes é o Lete, o tal rio mitológico cuja água provocava o esquecimento a quem a bebesse.</p>
<p>Podemos extrapolar a ideia, claro: &#8220;contar uma história&#8221; é, também, fazer pontes. Temos, por exemplo, a ponte que se cria entre nós, que a contamos, e o outro, que a ouve. Dessa ligação inicial, novas pontes irão brotar. Uma vez iniciado, o movimento não será eterno mas a sua expansão será demasiado veloz para que a possamos acompanhar ou traçar.</p>
<p>Parte de nós aquele ímpeto inicial em que, vigorosamente, atacamos o H e lançamos a corda. Seja para contar como nos correu o dia ou o filme que já vimos vezes sem conta, nunca será menos potenciadora uma ponte do que outra. E mesmo que a passagem, quer do tempo quer da água, todos os dias lhe tente erodir as fundações, poderemos sempre fazer alguma coisa porque uma nova história servirá para ligar em outro ponto as duas margens.</p>
<p>As histórias partem sempre de um passado e é por isso que as contamos. Diria até que há um certo processo de anamnese no acto de contar uma história, como se todas as ligações já tivessem sido possíveis e nos limitássemos a recriá-las no presente.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Tradicionalmente, todas as histórias começam por &#8220;era uma vez&#8221;. Na verdade, todas as histórias começam por H.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Trinta e sete</title>
		<link>http://lamelas.org/blog/2011/04/trinta-e-sete/</link>
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		<pubDate>Mon, 25 Apr 2011 22:54:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lamelas</dc:creator>
				<category><![CDATA[pt]]></category>

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		<description><![CDATA[Quando eu nasci, o 25 de Abril já era feriado. Quando eu nasci não tinha noção do que isso representava ou sequer do que era representar ou sequer do que era um feriado. Mas a 25 de Abril de 1985, lá estava eu, de punho erguido, tenho a certeza. Porque era essa a beleza latente [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu nasci, o 25 de Abril já era feriado. Quando eu nasci não tinha noção do que isso representava ou sequer do que era representar ou sequer do que era um feriado. Mas a 25 de Abril de 1985, lá estava eu, de punho erguido, tenho a certeza. Porque era essa a beleza latente na Revolução, vista assim, à distância de quem não a viveu: por muito que não a percebêssemos, era a Revolução de todos nós para todos nós.</p>
<p>Talvez por isso no dia de contar os anos à Revolução caio sempre no vaidoso exercício de imaginar que foi por mim que naquele &#8220;dia inicial, inteiro e limpo&#8221; se saiu à rua e se falou mais alto e se ergueu os braços.</p>
<p>E a felicidade faz-me o coração acelerar porque sim, foi também por mim.</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Das Poesias IV &#8211; Salgueiro Maia</title>
		<link>http://lamelas.org/blog/2010/10/das-poesias-iv-salgueiro-maia/</link>
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		<pubDate>Mon, 04 Oct 2010 10:56:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lamelas</dc:creator>
				<category><![CDATA[pt]]></category>

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		<description><![CDATA[Aquele que na hora da vitória Respeitou o vencido Aquele que deu tudo e não pediu a paga Aquele que na hora da ganância Perdeu o apetite Aquele que amou os outros e por isso Não colaborou com a sua ignorância ou vício Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida» Como antes [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Aquele que na hora da vitória<br />
Respeitou o vencido</em></p>
<p><em>Aquele que deu tudo e não pediu a paga<br />
Aquele que na hora da ganância<br />
Perdeu o apetite<br />
</em><br />
<em>Aquele que amou os outros e por isso<br />
Não colaborou com a sua ignorância ou vício<br />
</em><br />
<em>Aquele que foi «Fiel à palavra dada à ideia tida»<br />
Como antes dele mas também por ele<br />
Pessoa disse.</em><br />
<em> </em><br />
<span style="text-decoration: underline;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Sofia_de_Melo_Breyner">Sophia de Mello Breyner Andresen</a></span></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Das Poesias III &#8211; Rita and the rifle</title>
		<link>http://lamelas.org/blog/2010/08/das-poesias-iii-rita-and-the-rifle/</link>
		<comments>http://lamelas.org/blog/2010/08/das-poesias-iii-rita-and-the-rifle/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 14:57:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>lamelas</dc:creator>
				<category><![CDATA[pt]]></category>

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		<description><![CDATA[Between Rita and my eyes there is a rifle And whoever knows Rita kneels and prays To the divinity in those honey-colored eyes And I kissed Rita When she was young And I remember how she approached And how my arm covered the loveliest of braids And I remember Rita The way a sparrow remembers [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><em>Between Rita and my eyes there is a rifle<br />
And whoever knows Rita kneels<br />
and prays<br />
To the divinity in those honey-colored eyes<br />
And I kissed Rita<br />
When she was young<br />
And I remember how she approached<br />
And how my arm covered the loveliest of braids<br />
And I remember Rita<br />
The way a sparrow remembers its stream</em></p>
<p><em>Ah, Rita</p>
<p></em></p>
<p><em>Between us there are a million sparrows and images<br />
And many a rendezvous<br />
Fired at by a rifle<br />
Rita&#8217;s name was a feast in my mouth<br />
Rita&#8217;s body was a wedding in my blood<br />
And I was lost in Rita for two years<br />
And for two years she slept on my arm<br />
And we made promises<br />
Over the most beautiful of cups<br />
And we burned in the wine of our lips<br />
And we were born again</em></p>
<p><em>Ah, Rita!</em></p>
<p><em>What before this rifle could have turned my eyes from yours<br />
Except a nap or two or honey-colored clouds?<br />
Once upon a time<br />
Oh, the silence of dusk<br />
In the morning my moon migrated to a far place<br />
Towards those honey-colored eyes</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>And the city swept away all the singers<br />
And Rita<br />
Between Rita and my eyes — A rifle</em><br />
<em> </em><br />
<span style="text-decoration: underline;"><a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mahmoud_Darwish">Mahmoud Darwish</a></span></p>
]]></content:encoded>
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