Estação dos Combatentes

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Das Cidades Portuguesas II — Coimbra

Diria que és um rio pro­mo­vido a cidade, numa espé­cie de sim­bi­ose urbanístico-fluvial como se fos­sem pri­mos que par­ti­lham o san­gue, o ape­lido e nada mais. És a cidade do meio, a medi­a­dora entre o grande Pai do Norte e a grande Mãe a Sul. Mas todos sabe­mos que, e até geo­gra­fi­ca­mente, estás mais perto […]

Do fracasso

Ainda bem que falhaste. A sério. Achas mesmo que ias saber lidar com a gló­ria da mesma maneira sábia com que lidas com a der­rota? De que te valia a vitó­ria se a ias des­per­di­çar em cor­te­jos épicos e coroas de lou­ros a encimar-te a cabeça? Senta-te a um canto. Sozi­nho: só tu é que […]

Rule #1

It doesn’t mat­ter Wha­te­ver you think matters-doesn’t. Fol­low this rule, and it will add deca­des to your life. It does not mat­ter if you are late, or early; if you are here, or if you are there; if you said it, or did not say it; if you were cle­ver, or if you were stupid; […]

Das Cidades Portuguesas I — Aveiro

Não és, nunca foste e nunca serás a mais bonita. Falta-te o espaço, falta-te o cen­tro, falta-te a praça grande a fazer-te de cora­ção, falta-te a luz, falta-te a iden­ti­dade: és daque­las cida­des em que se cons­trói tudo por­que não tens nada. Exis­tes vazia, como se nunca nin­guém te habi­tasse, como se em ti apenas […]

Das poesias I

Ape­sar das ruí­nas e da morte, Onde sem­pre aca­bou cada ilu­são, A força dos meus sonhos é tão forte, Que de tudo renasce a exal­ta­ção E nunca as minhas mãos ficam vazias.” Sophia de Mello Brey­ner Andre­sen, Poesia (1944)

Das casas para Venda — I

Sabe, nunca nin­guém cá viveu a sério. Houve uma miúda que teve isto alu­gado durante uns meses mas foi embora. Dizia que não lhe com­pen­sava: o que ela que­ria era que lhe des­ces­sem a renda. Ainda vol­tou há pouco tempo, a ver se o tru­que fun­ci­o­nava, mas aca­bou por desis­tir. Tam­bém lhe digo: é natural […]

Das Prisões

Lembra-te da minha pri­são, do lugar vul­gar e sem pare­des onde me man­têm apri­si­o­nado. Não te esque­ças por favor da deco­ra­ção da minha cela, dos car­ros a pas­sar e do cimento já velho, das árvo­res aca­ba­das e dos arbus­tos egoís­tas. Perguntas-me por­que nunca dela saí e não resisto a sorrir-te: nin­guém está preso por­que quer, […]

Das recordações

Lembro-me. Lembro-me muito bem, aliás. Lembro-me de acor­dar sem ter muito bem a cer­teza do que ia fazer, como se fosse desem­bar­car na Nor­man­dia e ter-me esque­cido de como dis­pa­rar uma arma ou nem sequer me lem­brar que está­va­mos em guerra. Lembro-me de cho­rar, não sei exac­ta­mente porquê. E lembro-me tam­bém de parar de chorar […]

Powodzenia!

Megas, Johnny, Vanessa e Filipa: “façam o favor de ser feli­zes”. O Porto há-de cá estar quando vol­ta­rem. Eu sei que sim.

Sonhei que estava a caminho

…a cami­nho de casa.