Trinta e sete

by lamelas

Quando eu nasci, o 25 de Abril já era feriado. Quando eu nasci não tinha noção do que isso representava ou sequer do que era representar ou sequer do que era um feriado. Mas a 25 de Abril de 1985, lá estava eu, de punho erguido, tenho a certeza. Porque era essa a beleza latente na Revolução, vista assim, à distância de quem não a viveu: por muito que não a percebêssemos, era a Revolução de todos nós para todos nós.

Talvez por isso no dia de contar os anos à Revolução caio sempre no vaidoso exercício de imaginar que foi por mim que naquele “dia inicial, inteiro e limpo” se saiu à rua e se falou mais alto e se ergueu os braços.

E a felicidade faz-me o coração acelerar porque sim, foi também por mim.