Das Cidades Portuguesas II — Coimbra
by lamelas
Diria que és um rio promovido a cidade, numa espécie de simbiose urbanístico-fluvial como se fossem primos que partilham o sangue, o apelido e nada mais.
És a cidade do meio, a mediadora entre o grande Pai do Norte e a grande Mãe a Sul. Mas todos sabemos que, e até geograficamente, estás mais perto do pai do que da mãe. E o que sempre gostei em ti foi a dignidade com que te soubeste manter no meio, lembrando-te sempre que passariam por ti, mesmo quando não quisessem, no caminho aórtico português.
Fizeram-te doutora no cimo de ti, para que o rio visse e se lembrasse que gerara uma sábia. Ou foi a sabedoria que te fez rio? Se foi a cátedra que te fez crescer para o céu, foram os filhos de outras mães que educaste que mais te amaram na arte.
O Homem dos Braços de Guitarra tocou-te a saudade para que a ouvisses e soubesses que nome tinha o que sentias pela princesa cujo sangue há-de sempre ficar lá na pedra.
Na pedra disseram-te mais encantadora na hora da despedida. Nunca pela tristeza do adeus mas pelo mistério da saudade e pela vontade do regresso.
Ou será que não tendemos sempre para o meio?