Nov
18
Não és, nunca foste e nunca serás a mais bonita. Falta-te o espaço, falta-te o centro, falta-te a praça grande a fazer-te de coração, falta-te a luz, falta-te a identidade: és daquelas cidades em que se constrói tudo porque não tens nada. Existes vazia, como se nunca ninguém te habitasse, como se em ti apenas se passasse e nunca se ficasse. Nunca em ti nada é antigo e mesmo o mais antigo parece falso: foi construído, não nasceu ali.
Espraias-te na direcção do Oceano mas recusas-te a chegar a ele, preferes adormecer numa ria que não é ria. E até nisso és falsa! Quem chega a ti vê-te fechada em ti, com uma ponte e um canal por baixo, como uma tentativa de seres um pequeno postal de uma Veneza falhada. Queres esconder o quê? Tens alguma grandeza em ti ou pretendes apenas ocultar que não a tens?
Construam em ti o que quiserem, serás sempre vazia. Todas as casas serão sempre alugadas, nunca ninguém as comprará, nunca ninguém te escolherá para a vida. Construirão em ti castelos com o sal que te extraem mas atirar-to-ão outra vez assim que se fartarem. Em ti os castelos serão sempre uma brincadeira de crianças.
Passa-se por ti, não se fica.
Add New Comment
Viewing 5 Comments
Thanks. Your comment is awaiting approval by a moderator.
Do you already have an account? Log in and claim this comment.
Do you already have an account? Log in and claim this comment.
Do you already have an account? Log in and claim this comment.
Do you already have an account? Log in and claim this comment.
Do you already have an account? Log in and claim this comment.
Do you already have an account? Log in and claim this comment.
Add New Comment