O meu primeiro atalho

by lamelas

O meu já citado primo Tozé era o dono do pri­meiro com­pu­ta­dor em que mexi.  O tal PC-1 da Oli­vetti foi a máquina em que aprendi as manhas do ofí­cio e, nele, os meus pri­mei­ros pas­sos no MS-DOS.
Aprendi com o meu primo toda aquela rotina de

cd ..
cd jogos
dir *.exe
dir /w

Tam­bém aprendi com ele todo o con­ceito de comprimir/descomprimir fichei­ros via linha de coman­dos, claro está. Ainda me lem­bro do cho­que que foi quando des­co­bri o Win­Zip. Mas isso é uma his­tó­ria para outro dia.
Aprendi com ele o meu pri­meiro ata­lho. Todos usa­mos ata­lhos a par­tir de um certo nível de pro­fi­ci­ên­cia e habituamo-nos a eles. Toda a gente sabe que Ctrl+C (ou Command+C em Mac) copia o que está sele­ci­o­nado e que Ctrl+V (Command+V) cola o que tinha­mos copi­ado. Aprendi no Micro­soft Paint aquele que é, ainda hoje, o meu ata­lho favo­rito (sim, eu penso nes­tas coi­sas): Ctrl+Z (Command+Z), o ata­lho para vol­tar atrás uma acção.
Na ver­dade, o ata­lho que venho aqui refe­rir não é bem “um ata­lho” mas sim uma manha resul­tante de um ata­lho. Ima­gi­ne­mos então o cená­rio de que­rer­mos criar uma direc­to­ria no MS-DOS, por exem­plo a direc­to­ria “keen” onde vai morar a nossa ins­ta­la­ção de Com­man­der Keen in Goodbye Galaxy! que está
na nossa dis­quete. A sequên­cia seria, par­tindo da raiz do disco:

cd Jogos
md keen
cd keen
a:
copy * c:

Apa­ren­te­mente, não há aqui nada de espe­cial e na rea­li­dade não há. Con­tudo, foi em sequên­cias deste estilo que aprendi o meu pri­meiro grande golpe de pro­fi­ci­ên­cia infor­má­tica. Con­ve­nha­mos:

md keen
cd keen

são dois coman­dos que par­ti­lham todos excepto 1 carac­ter. Em MS-DOS, a tecla F3 coloca na linha de coman­dos o último comando. A ideia de génio, era escre­ver então:

md keen
c <F3>

MEU DEUS!” pen­sei eu quando aprendi a fazer esta pequena manha. Com ape­nas uma tecla podia pou­par dúzias e dúzias de carac­te­res ao longo da vida! É a pri­meira lem­brança que tenho de usar um ata­lho em toda a minha vida e ainda hoje uso vari­a­ções dele.
Hoje, anos depois, con­ti­nuo mara­vi­lhado com os ata­lhos que nos per­mi­tem pou­par tempo e teclas. Diria que grande parte do pra­zer que retiro da uti­li­za­ção de ata­lhos não vem da pou­pança de tempo ou teclas, vem do efeito que resulta de uma pequena acção/grande resul­tado. Isso seria uma ques­tão inte­res­sante para se dis­ser­tar mas não neste post.