Das Lisboas — Parte 1: A premissa

by lamelas

Quase tudo aquilo que eu conhe­cia de Lis­boa, conhecia-o como um car­ta­o­zi­nho colo­rido com um preço asso­ci­ado. Para mim, a Rua Augusta e o Ros­sio eram ape­nas os sítios mais caros do Mono­pó­lio, tal como a Rua do Ouro e a Ave­nida da Liber­dade eram duas das pro­pri­e­da­des ver­des.
A 300km de dis­tân­cia, Lis­boa, parece a solu­ção para todos os meus pro­ble­mas. Vista daqui, ganha um aura quase mís­tica, uma névoa de fas­ci­na­ção que a rodeia, uma tabu­leta de “CAPITAL” que se con­se­gue ler à dis­tân­cia.
Lis­boa é ver­da­dei­ra­mente uma cidade enquanto que o Porto é uma aldeia grande. Esta é, de longe, uma das mai­o­res ver­da­des e, sem dúvida, o que real­mente dis­tin­gue as duas mai­o­res cida­des do nosso jar­dim à beira-mar plan­tado.
Chego a Lis­boa com uma mala car­re­gada de sonhos e expec­ta­ti­vas, vou com a espe­rança de tra­zer umas dúzias de “bués” como recor­da­ção e de reco­lher alguma coisa. Vou com todos os sen­ti­dos aber­tos. Quero ver afi­nal que raio é a “cabe­çorra gigan­tesca e mal-pensante que nasce entre as per­nas do Tejo”. Saio na Gare do Ori­ente, coloco o pé em terra. Ins­piro. Olho em volta. Parece que esta­mos nou­tro pais. Quanto não vale uma Expo…
Mas Lis­boa não pára e no ins­tante seguinte sou rode­ado de gente apres­sada. Olho em volta. Afi­nal Lis­boa é ape­nas uma cidade como as outras.

Só que é Lisboa