Notas soltas sobre os douradinhos da Academia
by lamelas
O Capitão Iglo tinha os seus douradinhos de pescada mas nunca fui grande fã deles. Os douradinhos da Academia, vulgarmente conhecidos por Oscares, são, de longe, bem mais interessantes. Vi 4 dos filmes nomeados para o Oscar de Melhor Filme. Falhou-me “The Queen” de Stephen Frears, realizador de uma das minhas obras cinematográficas favoritas de todo o sempre, o fabulástico “High Fidelity”. Dentro dos quatro filmes nomeados que vi, julgo que apenas “Babel” não mereceria o Oscar (e ainda bem que não o venceu).
- “Little Miss Sunshine” vi-o ontem, antes dos Oscares. Foi delicioso ver uma comédia independente tão simpática e imaginativa como esta nas horas antes dos Oscares. Merecia ganhar Melhor Filme, Melhor Argumento Original (que ganhou de forma justa) e também Abigail Breslin que merecia claramente Melhor Actriz Secundária. Talvez a excitação de ter saído do cinema pouco tempo antes me tenha toldado um pouco a visão sobre este filme mas uma coisa é certa, mais de 24 horas depois: é delicioso e altamente recomendável.
- “Letters From Iwo Jima” é dos melhores filmes de guerra desta década. Claramente Clint Eastwood a mostrar que depois de ter sido um actor soberbo, é hoje um dois maiores realizadores americanos vivos. Um filme de guerra tão cruel quanto humano, tão honesto como despretensioso. Indispensável olhar sobre uma frente do último conflito mundial cujo potencial cinematográfico é altamente subvalorizado.
- “Babel” é o pior dos 4 filmes nomeados que tive o prazer de ver. Pior não quer dizer mau, note-se. Quer dizer inferior aos outros. Existem em “Babel” pormenores de realização deliciosos. Honra seja feita ás duas actrizes secundárias nomeadas, Adriana Barraza e Rinko Kikuchi, que dão ao filme bem mais que uma Cate Blanchet pastelona e um Brad Pitt sensaborão. Alejandro González Iñárritu é um cineasta talentoso que a mim ainda não me convenceu mas também confesso que apenas vi “Amores Perros”, o seu mais aclamado filme, uma vez e foi uma visualização um pouco desatenta.
- “The Departed” é um filme delicioso. Eu pecador me confesso mais uma vez e informo que não vi “Infernal Affairs”, o filme de Hong Kong no qual este se inspirou. Ainda assim, “The Departed” é um grande filme do início ao fim. Tem Scorcese, tem DiCaprio a conseguir a proeza de nos esquecermos de Jack Dawson, tem Matt Damon a conseguir ser odiável, tem Jack Nicholson a fazer o que melhor sabe, ou seja, ser deus e, claro, Vera Farmiga em toda a sua angelical beleza. Merecia o Oscar? Sim. Era o que mais merecia? Talvez.
Uma nota de tristeza por “Cars” ter perdido para “Happy Feet”. Para mim “Cars” não só era o melhor filme de animação do ano passado como era um dos MELHORES FILMES do ano passado.
E foi mais uma cerimónia dos Oscares sem mim. Já faltam cada vez menos. Não se preocupem: eu não me esqueço de agradecer a vocês.